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Contratação de profissionais com deficiência: quais os desafios e como conduzir?

O processo seletivo de profissionais com deficiência tem gerado muitas dúvidas para os gestores de RH nas empresas, e essa falta de conhecimento pode ser um dos maiores obstáculos para contratações efetivamente inclusivas e que tragam os resultados almejados pelas companhias.

Diante dessa realidade, é preciso procurar ter um conhecimento mais amplo para o alcance de processos seletivos acertados.

Para ajudar você nesse desafio, preparamos este post sobre contratação de pessoas com deficiências. Acompanhe!

Quais os principais desafios na contratação de profissionais com deficiência?

Um estudo conduzido pela i.Social juntamente com a Catho, revelou que 86% dos entrevistados encontram dificuldades na hora de contratar profissionais com deficiência.

Os desafios na contratação de profissionais com deficiência são os mais diversos, entre eles a necessidade de fazer ajustes nos processos seletivos, juntamente com a necessidade de uma mudança na cultura organizacional da companhia, que requer rever atitudes e educar a mentalidade de gestores e colaboradores para a importância dos profissionais com deficiência na companhia.

Além disso, alguns dos desafios mais recorrentes nas companhias e que procrastinam ou impedem a contratação de PcDs são:

  • falta de acessibilidade na empresa;
  • pouca atratividade das vagas, como salário baixo e funções subutilizadas;
  • pouco ou nenhum apoio dos gestores;
  • falta de capacitação da equipe.

Diante desse cenário, o que acontece, na prática, é que as organizações contratam profissionais com deficiência somente com o objetivo de cumprir a meta da Lei das Cotas, deixando um rastro grande de defasagem em várias questões que envolvem a integração dessas pessoas ao ambiente laboral, o que acaba por desestimulá-las, culminando no desligamento precoce delas.

Breve explicação sobre Lei de Cotas

Criada em 1991, a Lei nº 8.213, mais conhecida como Lei de Cotas, tem como objetivo integrar e gerar oportunidades para as pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Essa Lei só foi regulamentada em 1999, com o decreto nº 3.298.

Entretanto, ainda nos dias atuais, sua implantação tem evoluído de forma lenta, e conta com o aperfeiçoamento da legislação, assim como os mecanismos de fiscalização.

A legislação atual dispõe que companhias com mais de 100 trabalhadores devem destinar cotas para os PcDs, em percentuais que variam de 2% a 5%. Veja a seguir:

  • até 200 trabalhadores: 2%;
  • de 201 a 500 trabalhadores: 3%;
  • entre 501 e 1000 trabalhadores: 4%;
  • a partir de 1001 trabalhadores: 5%.

Para atingir a porcentagem, devem ser somados os trabalhadores da sede e filiais. As pessoas com deficiência podem atuar em apenas um local, mas a Lei restringe que todas trabalhem em somente um setor.

Isso porque é interessante para ambas as partes que elas consigam conviver com indivíduos dos mais variados departamentos, aumentando, assim, o grau de influência das pessoas com deficiência na companhia, o que colabora para a diversidade na empresa.

Todas as empresas, independentemente do ramo de atividade, são obrigadas a destinar cotas para os PcDs, mesmo aquelas que oferecem risco à integridade dos trabalhadores, como as companhias siderúrgicas, por exemplo.

A fiscalização do cumprimento da Lei das Cotas fica a cargo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e as companhias que infringirem a legislação podem ser multadas. O prejuízo pode ultrapassar os R$ 220 mil, a depender da gravidade da infração.

Quais os pontos de atenção para a contratação de PcDs?

Para uma maior efetividade dos processos seletivos, a colaboração dos gestores e da liderança dos setores é fundamental. É preciso conscientizar a todos, a fim de que eles entendam os benefícios que a diversidade e inclusão podem trazer no ambiente corporativo e nos resultados da companhia.

Com o apoio de gestores e líderes, é importante fazer um descritivo de cargo da função detalhado, com todas as atividades e requisitos necessários. Isso facilita o recebimento de currículos mais compatíveis com a vaga.

Ao alinhar essas ações, que se referem ao perfil profissional, ainda é preciso garantir que a estrutura física também esteja preparada para receber os colaboradores.

A soma de todos esses fatores contribui de forma positiva para o sucesso da contratação e, principalmente, para a adaptação dos profissionais com deficiência na empresa.

Como conduzir o processo seletivo da melhor forma?

Agora que você já sabe como as empresas podem se preparar para receber esses profissionais, veja as boas práticas na contratação de PcDs que preparamos para você!

Foque nas competências

Já comentamos que a maioria das empresas só contrata profissionais com deficiência para cumprir a Lei de Cotas, o que é um grande erro, visto o grande potencial dessa mão de obra. Portanto, evite “encaixar” um profissional PcD em determinado cargo somente com a intenção de cumprir a Lei.

A forma mais eficiente de obter sucesso nesse tipo de processo seletivo é focar nas habilidades profissionais e competências para ocupar a função, ou seja, ter um bom descritivo de cargo.

Deixe claro para o candidato o que é esperado dele e tome as providências para que o processo siga de acordo com esses parâmetros.

Verifique o grau de autonomia do candidato

Os níveis de autonomia dos candidatos PcDs devem ser verificados, a fim de adequar a rotina de trabalho deles às exigências da função. Por isso, pergunte abertamente, e com naturalidade, quais são as limitações e como a empresa pode se adequar a essas necessidades.

De posse dessas informações, o recrutador precisa avaliar se a empresa tem condições de recebê-lo e para a função em aberto. Lembrando que cota não é caridade. A intenção aqui é proporcionar bem-estar para o profissional, para que ele consiga alcançar o seu máximo potencial, contribuindo para o desenvolvimento da organização.

Forneça feedback

Assim como acontece nos demais processos seletivos, é importante conceder um feedback sincero para o candidato PcD. Isso porque, apesar de possíveis limitações, ele tem competências técnicas e comportamentais que precisam ser melhoradas, e esse retorno pode ser extremamente valioso para que ele se prepare para oportunidades futuras.

Como vimos ao longo desta leitura, fazer um eficiente processo seletivo é possível, desde que a empresa esteja disposta a acolher esses profissionais de forma correta, e todo esse ciclo tem início no processo seletivo. Logo, estar atento a questões como acessibilidade e foco nas competências é fundamental para o sucesso dessas contratações.

Se você gostou deste post sobre contratação de profissionais com deficiência, entre em contato para conhecer a nossa solução que te ajuda a encontrar o profissionais ideal para a sua empresa.

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