Mitos e Verdades do Recrutamento na Era Digital

Novas ferramentas de seleção, que combinam tecnologias de Inteligência Artificial, entrevistas e testes online, já fazem parte do dia-a-dia de muitas empresas. O RH evoluiu muito suas práticas e, hoje, o recrutamento digital deixou de ser tendência e tornou-se realidade. 

Diante deste cenário, em 2019, a Catho realizou duas importantes pesquisas com mais de 900 recrutadores de empresas de todo o país para entender o que eles avaliam como importante durante o processo seletivo e também para compreender quais as dificuldades do recrutamento e seleção dos profissionais Millennials.

Com base nesse material, surgiu o evento Café com Talento “Mitos e Verdades sobre o Recrutamento na Era Digital”, que foi realizado em diversas cidades. E, para trazer o tema para quem não pôde comparecer a esses encontros, realizamos uma entrevista com a palestrante Bianca Machado, gerente sênior da Catho. Confira abaixo!

1) Em 2019 a Catho realizou uma série de eventos em diferentes cidades, sobre os mitos e verdades sobre o recrutamento na era digital.  Qual era a principal dúvida dos participantes em relação a esse tema?

BIANCA: Nós fizemos aproximadamente 5 eventos em cidades diferentes, como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Manaus, abrangendo uma série de diversidade de opiniões e necessidades regionais. Mas teve um ponto em comum para todos os gestores de RH, que é a necessidade de contratar um profissional qualificado, que atenta a todos os requisitos da vaga e esteja alinhado com a cultura da empresa, em menos tempo. O que percebi é que o mercado tem essa grande dúvida “Como eu consigo atrair o melhor candidato para a minha posição: que esteja em sintonia com a cultura, DNA e valores da minha empresa, e com o salário que eu tenho para oferecer?” Isso remete a escassez de talentos que a gente enfrenta já há alguns anos, principalmente com o avanço tecnológico e as novas profissões nascendo todos os dias. Então, muitas vezes o RH fica em dúvida em como é a melhor forma, se é por meio da tecnologia ou não, se é high touch (com muito contato) ou low touch (com pouco contato), para conseguir atrair o melhor candidato.

2) E qual é o principal mito em relação a recrutamento digital na era digital? 

BIANCA: O principal mito sobre recrutamento na era digital é a possibilidade de contratar um candidato sem qualquer contato humano direto com ele. Nesse caso, acredito que o RH ainda tem uma grande importância e protagonismo, com um grande foco em como humanizar o processo, em não perder o olhar humano por conta das tecnologias.

3) Nesse aspecto, qual seria a dica para as empresas alinharem o melhor da tecnologia sem perder o lado humano no processo de recrutamento?  

BIANCA: A minha dica é dividir o processo do recrutamento e seleção em várias etapas. A tecnologia deve ser bem direcionada na etapa que é mais operacional, ou seja, o recrutamento. O recrutamento é aquele que exige mais tempo, energia e esforço para a triagem do currículo. 

É importante mencionar que, segundo uma das nossas pesquisas, um recrutador pode receber até 100 currículos por vaga. Alguns participantes dos nossos encontros relataram que recebem até 1000 currículos por vaga! Ou seja, é aí que está seu principal esforço.

Então a dica é que a tecnologia seja 100% voltada para afunilar da melhor maneira esses candidatos e daí para frente você vai deixando seu processo mais humanizado, para que você consiga acertar no perfil.

Você pode primeiro utilizar a tecnologia para selecionar os candidatos, depois para aplicar testes de conhecimento ou perfil. Na nossa plataforma, por exemplo, você consegue até identificar profissionais que têm inglês ou Excel avançado, não precisa mais de uma consultoria para fazer isso ou que você aplique pessoalmente o teste. Quando chega a etapa da seleção e você já tem seus finalistas, já pode envolver os gestores, e também continuar utilizando a tecnologia, mas num processo muito mais humano do que tecnológico. Isso não quer dizer que uma entrevista remota não é positiva, pelo contrário, é ótima. Mas é preciso ter em mente que a tecnologia apoia sempre, desde que a gente tenha muito claro qual que é o perfil que está buscando e consiga também tangibilizar qual é o desafio daquele profissional. Aqui na Catho a gente trabalha muito com esse termo, qual o desafio dessa posição? Será que a gente consegue com exemplos práticos e cases dentro do processo seletivo, em que o candidato consiga demonstrar com muito mais assertividade se ele está pronto para a posição? 

4) Por que as empresas devem investir no recrutamento digital? Qual foi a evolução que ele trouxe nos últimos anos?  

BIANCA: O recrutamento digital vai otimizar em até 20 vezes o seu processo seletivo e, então, você conseguirá direcionar o seu time para focar no core business ou em etapas muitos mais estratégicas do recrutamento e seleção. Se você tem um esforço muito grande no recrutamento, acaba despendendo energia no lugar que é menos apropriado. 

A tecnologia do recrutamento digital busca trazer mais praticidade e facilidade em uma tarefa que demanda muito tempo e organização, pois há uma série de assuntos extremamente delicados e estratégicos dentro da área de recursos humanos que merecem mais dedicação. 

5) As pequenas empresas e empreendedores também podem se beneficiar com a utilização da tecnologia?

BIANCA: Sim, empresas de qualquer tamanho podem se beneficiar da tecnologia, como por exemplo, realizando uma entrevista remota ou por aplicativo; algum teste online que ajude a traçar os aspectos comportamentais e psicológicos de um candidato. Assim, qualquer empreendedor ou startup pode se beneficiar da tecnologia em todas as etapas do recrutamento e seleção. 

6) Até que ponto a tecnologia pode favorecer ou atrapalhar nos processos de recrutamento?

BIANCA: A utilização da tecnologia deve estar muito alinhada a estratégia da empresa, pois fica mais fácil direcionar a ferramenta certa para cada etapa. No entanto, a tecnologia pode atrapalhar se a gente substituir o fator humano pela máquina. Se todos os processos do recrutamento e seleção forem feitos sem nenhuma interação humana, acredito que a chance de erros é muito grande. 

Eu sempre falo sobre a humanização do contato, porque já vi muitas pessoas desengajadas com o processo totalmente remoto, por ser online, podem não se preocupar com a linguagem corporal, postura, entre outros fatores. Para o candidato é mais complicado, pois ele não sabe se está agradando ou não, se está falando certo ou errado. Durante o processo seletivo, o candidato já está sob pressão, porque está sendo avaliado, porque ele depende daquele emprego ou é uma oportunidade em uma empresa muito desejada. Então, os recrutadores também devem ter o tato para usar a tecnologia, usar da melhor forma, sem que o candidato se sinta prejudicado por ser um processo remoto, ou por ter muita tecnologia envolvida.

7) Como o avanço da inteligência artificial vai impactar no setor de recrutamento? Você acredita que as entrevistas realizadas por webcam, e analisadas por inteligência artificial e robôs, ao invés de humanos, vai predominar? Qual a sua visão sobre esse tema?

BIANCA: Eu acredito que a inteligência artificial vai chegar em um patamar que a gente ainda não sonha, que o que a gente faz hoje ainda é pouco para o que a inteligência artificial vai fazer. Cabe a nós, principalmente gestores de recursos humanos, entender que uma máquina não tem sentimentos e que não tem como substituir um ser humano. E a gente precisa lutar por isso, eu gosto bastante da hashtag “Be digital, stay human”, em português, “seja digital mas permaneça humano”. Principalmente na área de recursos humanos isso é uma bandeira que a gente precisa levantar com afinco.

A inteligência artificial vai ser capaz de tudo, ela vai conseguir entregar o melhor candidato, a melhor shortlist, mas a escolha é do gestor. Uma pessoa vai ter que fazer o trabalho de escolha, pois se ela não participar da escolha na contratação, ela vai participar do desligamento. E aí a máxima, na minha opinião, vai continuar: a gente contrata por conhecimento e desliga por comportamento. E uma máquina não vai ser capaz de te dar o feedback, de falar se você acerta ou se você erra, não vai ser empática.

Acredito que a inteligência artificial vai nos ajudar mais em relação à produtividade, pois precisamos ser mais produtivos e estratégicos, mas sem deixarmos de enxergar o ser humano além de seus resultados e da tecnologia.

Bianca Machado Constantini, é gerente sênior na Catho, onde é responsável pela área de venda B2B. Bianca é graduada em direito e pós-graduada em gestão estratégia de vendas. Está na Catho há 3 anos, onde consegue unir suas duas áreas favoritas: Vendas e RH e tem como propósito profissional, desenvolver talentos. Bianca também é mãe do Augusto, de 6 anos.    

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